Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

O banner da nossa menção honrosa. :)

sinto-me: satisfeita.
música: Rihanna Feat Jay Z - Umbrella
publicado por dizem que são cinderelas às 17:16

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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Reportagem "Directo Fantástico".

Lúcia Mello Nobre Almeida faleceu no passado dia 13 de Junho de 1953. Foi encontrada sem vida numa divisão duma casa onde decorria naquele exacto momento um baile. Mesmo após a autópsia não foi descoberta a razão pela qual expirou, mas remeteu-se para uma síncope cardíaca. Vários inspectores tentam resolver o mistério. Decidimos ir ao casarão e entrevistar alguns dos convidados que tinham tido contacto com Lúcia.

 

*

De 20 em 20 anos, como diz a tradição da família Monteiro realiza-se o Baile das Luzes na Quinta da Dança. As mais altas famílias da burguesia são convidadas, e esta é uma das poucas oportunidades que têm para fazer grandes negócios e onde se promete a mão de raparigas a um novo-rico. Contudo, este baile de 1953 prometeria mais para além disso: Lúcia Mello Nobre Almeida faleceu misteriosamente. Até agora não se sabe porquê. A PJ encontra-se no local e solicita a todos os convidados que permaneçam no local até serem interrogados. Entrevistámos alguns dos presentes e os resultados foram incríveis.

 

[Jornalista: Quando teve contacto com Lúcia?]

Christina Monteiro (Filha dos donos da casa): Era incapaz de esquecer, aquela que há vinte anos se apresentou nesta casa digna de altos dignitários, com um vestido horroroso, desbotado, sem corte, era simplesmente…desculpem a indelicadeza, piroso!

Pode dizer-se que era portadora de beleza, sim… mas sinceramente não me chega aos calcanhares (riso fútil).

 

 

Odete e Filipa (“Rapariga vestida de Azul” e “Rapariga vestida de branco”, respectivamente):

Lúcia? Ah sim aquela dos sapatos de brilhantes? Aconteceu-lhe alguma coisa? Queria perguntar-lhe onde os comprou, eu acho que foi em Milão mas a minha irmã insiste que foi em Paris! Que teimosia!

[silêncio completo]

 

Adelaide (Tia-Madrinha):

Eu e Lúcia encontrávamo-nos regularmente. Tínhamos o chá das cinco. Adorava ir à casa dela: mil e um empregados, dez mordomos e vinte motoristas. Só criadagem, fantástico a organização daquela casa, estupenda... Ah sabem?! Fui eu que a apresentei à sociedade, foi comigo que ela aprendeu tudo o que está relacionado com etiqueta e claro fui eu que a propus ao seu marido. Um bom partido diga-se de passagem!

Também estou curiosa quem irá receber a sua herança, não tem filhos… o marido com certeza precisará de apoio moral e eu estarei cá para tudo o que for necessário. (nariz empinado)

 

Roberto (rapaz que dançou com Lúcia):

Desculpe, mas não sei nada sobre Lúcia. Apenas dancei com ela. Desculpe, com licença. (sai)

 

Jorge (marido):

Sinceramente, não posso dizer muito acerca da minha esposa.

Ela vivia num mundo pequeno, fechado, deprimente e isolado. Sempre soube que ela tinha algum problema, talvez tenha sido algum trauma do passado, pois ela tinha um espírito vingativo.

Das últimas conversas que tivemos, as quais eram poucas, ela pediu-me uma quantia bastante avultada para comprar a toilette que ela desejava levar a este baile.

Sei que o principal objectivo dela era levar calçados uns sapatos bordados a brilhantes. O estranho é que quando enconrtraram o corpo dela, num dos pés estava um sapato azul velho, miserável e não o sapato de brilhantes.

 

Lúcia vem de uma família pobre. Vivia com o seu pai e dois irmãos, visto que a sua mãe tinha falecido. Sempre sonhara ir a um baile. A sua tia-madrinha oferece-lhe um vestido lilás e leva-a consigo. Não se sabe muito acerca da sua vida, pois era uma pessoa fechada e não costumava abrir-se, nem aos mais próximos. Uma criada, que não quis dar a cara, declarou que tinha ouvido uma conversa estranha entre Lúcia e Roberto na varanda, no seu primeiro baile. “Júlia” (nome fictício dado à criada), lembra-se completamente da conversa que tiveram. Conseguiu dizer-nos palavra a palavra.

 

“- Estas noites assim não a assustam?

- Assustar? Porquê?

- Tanto azul, tantos brilhos, brisas, perfumes, parecem a promessa de uma vida deslumbrada que é a nossa verdadeira vida. Mas, ao mesmo tempo, há nessas noites uma angústia especial – há no ar o pressentimento de que nos vamos despistar, nos vamos distrair, nos vamos enganar e não vamos nunca ser capazes de reconhecer e agarrar essa vida que é a nossa verdadeira vida”.

 

Contou-nos também que ela mesma mais uma colega tinham retirado um sapato, em mau estado, do meio do salão, e que esse mesmo sapato era de Lúcia. Neste baile, enquanto preparava os quartos dos hóspedes vê Lúcia entrar numa divisão. “Júlia” sente-se curiosa e decide ver o que se passava. Encosta o ouvido na porta e ouve duas vozes. Não percebe o que dizem apenas distingue uma da outra: Lúcia e um homem.

É de constar também que ninguém saiu nem entrou na divisão após Lúcia. Foi também esta criada que a encontrou morta com o sapato com brilhantes e o sapato que vinte anos atrás tinha recolhido do meio do salão.

 

Muitas questões se colocam sobre este mistério. Será que a estranha conversa do primeiro baile está relacionada com o que aconteceu a seguir? Será que este rapaz seria a última pessoa que conversou com Lúcia ou seria a vingança que a levou à loucura? Como é possível alguém ter estado com Lúcia no quarto se nem a criada a viu a entrar? Como, como, como…?

Beijinhos,

As Cinderelas.

sinto-me: entusiasmada!
música: Josh Groban - Oceano.
publicado por dizem que são cinderelas às 11:39

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No Mundo de Lúcia

Sente-se o cheiro a fresco, a relva cortada, a Verão!
Avistamos uma jovem com um vestido lilás horrendo, sem corte, de tecido debotado, esta tem aspecto bastante jovial, possui lábios vermelhos de cor bem natural, olhos grandes, cheios de vida, traços finos, enfim ela é bastante bonita, de uma beleza estrondosa, mas escondida. Apresenta uma expressão confusa, claramente, não sabe onde está, este mundo é novo para ela. Tantas cores, vozes e cheiros tudo visto e sentido pela primeira vez…
O nome dela é Lúcia, sim um nome bastante bonito, porém simples, tal como ela.
A sua acompanhante é dona de uma expressão fútil e superficial.
Acabaram de entrar na mansão, é uma casa abastada, fina e requintada, lá é tudo claro, limpo ao mínimo detalhe, mas ao mesmo tempo frio e distante.
Ao entrarmos nela, temos a visão de um vão de escadas, à esquerda fica o enorme salão onde a festa será realizada. Este é muitíssimo bem decorado, cortinados de feltro fino branco pérola com cordas douradas, os sofás em formato romano também nesses tons, os tecidos são claramente italianos. Os lustres que o iluminam dão o ar de quente mas as flores de Julho cortam o efeito, dando um ar fresco. As janelas são revestidas de vidro da Boémia e foram pintadas pelos melhores artistas em Londres. Os mosaicos trespassam as cores vivas dos vestidos das meninas da aristocracia que dançam a primeira, segunda e terceira dança sem sequer se aperceberem que o mundo real não é assim, pois este é cheio de fome, miséria, preto, cinzento e não como o rosa e branco das suas longas, caras e finas vestimentas.
Lúcia sabe como é esse mundo, pois é filha dele. O dia-a-dia dela é feito de pobreza, de gritos, e sem cor.
Enquanto é apresentada aos donos da casa esta nota que este universo de tanta ostentação não é bom, é maligno.
As pessoas julgam umas e outras apenas pelo aspecto e não pelo interior. Se o vestido é lilás e horrendo como o de Lúcia, tem-se o passaporte para a humilhação, para o desprezo, para o gozo, é esse o pensamento dela neste momento.
Podemos agora ver uma possível tentativa de conversa entre Lúcia e as outras raparigas, estas tratam-na como um ser invisível, fantasma e sobretudo que deve ser evitado a todo o custo.
“Ninguém conversa comigo, apenas dizem mal de mim”, pensa Lúcia, decide então esconder-se na varanda, e senta-se numa das cadeiras italianas, que na verdade não muito confortáveis, apenas bem ornamentadas e bonitas.
O seu pensamento divaga para a recordação da semana anterior, o dia em que foi buscar aquele maldito vestido à casa da sua madrinha e claro os sapatos que teve que descobrir no sótão da sua degradada casa, estes por sinal estavam rotos, o forro outrora azul estava sem cor, o veludo cheio de bolor, enfim péssimos.
A jovem desloca-se para o andar superior e vê-se ao espelho. A imagem obtida não é muito real, este devolve a imagem de uma rapariguita pálida, como se estivesse submetida a uma grave enfermidade, apesar de esta ser bastante saudável. Tal como o mundo em que agora se encontra, este espelho também dava uma imagem errada dela. A causa da disfunção do espelho é a sua idade, já a das pessoas é o vestido de Lúcia, uma insignificante peça de roupa que apenas serve para injuriar a jovem.
Regressa ao salão e retorna ao seu canto, na varanda.
Um rapaz, que é o acompanhante da filha dos donos da casa, desloca-se até ela e iniciam uma conversa sobre o que sentem acerca da noite, dos brilhos, dos cheiros, das sensações…
Este convida-a para dançar, Lúcia aceita, porém, relutante, tem medo de perder um dos seus sapatos rotos e velhos.
E infelizmente é isso que acontece, ao dançarem por um tempo, a rapariga distrai-se e um dos seus sapatos perde-se no inúmero espaço de dança do salão. Esta tenta permanecer intacta, tenta manter o ritmo da dança, porém com alguma dificuldade.
Todos param, analisam e riem do sapato, a filha da dona da casa manda uma das criadas buscar qualquer coisa, essa apresenta-se com uma pinça do forno para retirar o sapato do meio do salão.
Depois de este episódio, Lúcia refugia-se no primeiro quarto que encontrou, este é totalmente coberto de espelhos que distorcem a sua imagem. A partir da varanda dessa habitação, tem-se uma vista parcial do resto da casa, a jovem vê o rapaz que a procura insistentemente.
A jovem, jura ali naquele lugar frio e misterioso que um dia voltará lá e vingar-se-á de todos, de todas as pessoas que gozaram e riram dela.
*
A partir deste infeliz momento, Lúcia casa-se com um homem rico, dono de extensas propriedades e a cada ano acumula mais dinheiro, mais terras para gerir. O mundo em que passa a viver é pequeno, deprimente, solitário, desejoso de uma vingança e egocêntrico, apenas virado para a sua promessa, para o seu desejo e prazer em se vingar de todas aquelas “sombras do passado”.
Dentro de dias, vai haver outro baile, na mesma casa, tudo vai ser o mesmo. Excluindo a parte em que Lúcia se vai apresentar de cabeça erguida, auto-confiante, tudo porque agora, corre o boato que Lúcia comprou uns sapatos bordados de brilhantes e um vestido fora de preço.
Não é boato, é verdade…
Outrora simples e de beleza inocente, Lúcia tornou-se uma bela mulher, com corpo definido rosto menos cheio, lábios ainda mais vermelhos, olhos ainda mais vivos…
A beleza superficial pode ter mudado para melhor, mas por outro lado a interior desapareceu por completo.
*
É hoje, é hoje o grande dia.
Lúcia prepara-se, toma um banho demorado, perfuma-se e maquilha-se…
Sente que o momento se aproxima, ela está completamente sedenta da sua vingança.
Entra no quarto de vestir e retira do fundo da cómoda, da gaveta e da caixa, tudo fechado a sete chaves, o vestido velho.
Momentos depois, estende os dois vestidos sobre o sofá, o velho lilás, sem corte, desbotado e o novo, feito à medida, chamativo, provocante e colorido.
Os sapatos, esses também são analisados ao pormenor.
Os velhos rotos, de cor sumida e cheios de bolor; já os novos, brilhantes e com veludo novo.
 
 
Chegada ao baile é olhada por todos, melhor…é analisada, inspeccionada.
Depois de algumas danças, Lúcia resolve ir ao mesmo quarto, onde há vinte anos atrás se refugiou de tudo e de todos.
Lúcia olha-se novamente aos espelhos e para grande susto vê a mesma imagem desfocada, a mesma imagem que tivera há vinte anos.
O rapaz que no outro baile conversou e dançou com ela, agora estava ali novamente pedindo que ela lhe devolvesse um dos sapatos em prol da vida que tinha levado até ali, Lúcia rejeita tal suposição.
O coração dela começa a bater mais e mais a cada instante, o sangue começa a correr furiosamente pelas suas veias …
Ela apenas sente uma dor intensa no peito e desfalece.
É este o final trágico de Lúcia.
Para quê, um mundo cheio de superficialidades, que mais tarde se revelam insignificantes na vida de uma pessoa?
Para quê a vingança por uma coisa tão mínima como um vestido, uma humilhação pública…há coisa mais graves.
Infelizmente o mundo está cheio de coisas mais preocupantes como a fome, a guerra…
Sigam em frente…
*
Como sabemos a maioria das histórias que Sophia escrevia são relacionados com algo que viveu ou ouviu… soa um bocado estranho, não?
Escrito por: Cinderela Patrícia.
Beijinhos,
As Cinderelas.
sinto-me: trabalhadora.
música: Beyoncé Knowles - Upgrade You
publicado por dizem que são cinderelas às 11:26

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Domingo, 4 de Março de 2007

"História da Gata Borralheira".

Introdução ao conto integral “História da Gata Borralheira” do livro “Histórias da Terra e do Mar” de Sophia de Mello Breyner Andresen
 
A História da Gata Borralheira retrata a vida de uma jovem que vive na fantasia de ir a um baile. Essa jovem chama-se Lúcia. Lúcia é pobre e por isso não tem a possibilidade de realizar o seu sonho, mas a sua tia-madrinha dá-lhe o “passaporte”, ou seja, um vestido para Lúcia, que esta, porém, detesta. Mesmo assim decidiu ir ao baile. Como não tem uns sapatos decidiu ir ao sótão e recuperou uns velhos e bolorentos. No baile, Lúcia sentiu-se sempre envergonhada e constrangida. Tentou sempre fugir aos espelhos da casa e escondeu-se na varanda do salão. Mais tarde, um rapaz convidou-a para dançar e esta aceita. No meio da dança caiu-lhe um dos sapatos e todos começaram a gozar com a situação. Lúcia ficou novamente muito incomodada, mas fingiu que não fora ela que o tinha perdido e saiu imediatamente do salão. Entra numa divisão onde a parte de dentro da porta é revestida por um espelho onde jura vingar-se de todas as pessoas que se tinham rido dela e voltar vitoriosa. Vinte anos depois volta ao mesmo local, mas desta vez com um vestido bonito e sapatos bordados com brilhantes. Mas, será que Lúcia consegue vingar-se? Será que não terá de pagar pela vida luxuosa que levou e a sua obsessão pela vingança?
 
URL: http://profteresa.no.sapo.pt/Historia%20gata%20Borralheira_conto.pdf
http://www.esec-emidio-navarro-alm.rcts.pt/sarilho/gata.htm
Acedido a 2 de Março de 2007.
A Cinderela,
Sofia.
sinto-me: ninja!
música: Frankie J. - Story of my life
publicado por dizem que são cinderelas às 16:45

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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Entrevista: "Ao Sábado com a Natércia, uma conversa muito séria!"

As cinderelas no seu melhor! [cenário: Parque da Cidade]

Programa “Ao Sábado com a Natércia”,

Sábado, dia 4 de Fevereiro de 1984

 

Desde já, BOM DIA! (voz histérica) Bem vindos ao “Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria! (slogan)

Caham… (tosse)

 

Temos aqui hoje connosco a grande poetisa ou escritora, como preferirem, Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Natércia: Bom dia Sophia, é um prazer tê-la connosco no nosso programa e recebê-la na nossa cidade!

Sophia: Obrigada.

 

Natércia: Primeiramente, gostava que a Sophia fizesse uma breve apresentação sua aos nossos espectadores aqui presentes e também lá em casa (“Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria!). Pode apenas referir dados, como por exemplo, o local de nascimento, como começou a escrever, o que quiser!

Sophia: Bem… a pergunta proposta é um bocado complexa diga-se de passagem (risos). Apresentar-me a mim própria, certo?! (risos)

Pois bem, nasci no Porto em Novembro de 1919. Venho de uma família aristocrática de origem dinamarquesa. Comecei a escrever os meus primeiros poemas aos 12 anos, e nessa altura já escrevia mais do que lia (risos), pois considerava-me uma escritora e não uma leitora.

Estudei num colégio até aos 17 anos, comecei o curso de Filologia Clássica mas não acabei.

Casei-me aos 27 anos, com um jornalista e advogado, o Miguel, Miguel Sousa Tavares.

Tivemos cinco lindos filhos: Isabel, Maria, Francisco, Xavier e Sofia. Foi para eles que comecei a escrever os meus primeiros contos infantis.

Por isso, aceitei o convite que me foi feito e decidi vir a Castelo Branco, uma cidade muito bonita e hospedeira, para apresentar o meu novo livro: “Histórias da Terra e do Mar”, e deste fiz uma breve leitura da “História da gata borralheira” numa escola.

 

Natércia: Já que falou da “História da gata borralheira”, será que nos poderia dar uma breve ideia dela?

Sophia: Não creio que esta história seja para crianças, mas sim para jovens. Apesar do nome não é a tradicional história da gata borralheira, tem apenas algumas semelhanças. A personagem principal é Lúcia. Uma jovem bonita e feliz, apesar de pobre.

Lúcia vai ao seu primeiro baile com a sua tia-madrinha, que lhe oferece um vestido servindo este de “passaporte”. Infelizmente, a experiência deixa-lhe “cicatrizes” e a partir daí, a sua vida é orientada apenas pela ambição e pelo desejo de se vingar de todos aqueles que se riram dela durante o baile, jurando que mais tarde voltaria ao mesmo lugar, mas que desta vez, ela é que sairia “vencedora”. Se quiserem saber o resto da história, aconselho-os a lerem-na, pois é simplesmente maravilhosa.

 

Natércia: Através das suas histórias e poemas, apercebemo-nos perfeitamente que tem uma ligação afectiva grande com o mar…

Sophia: Sim, adoro o mar. Adquiri esta paixão, a partir de umas férias de Verão que passei na Praia da Granja. Aliás, com tudo o que está relacionado com a Natureza. Chego até a ser bastante repetitiva em relação a isso. Acredito que isso se nota perfeitamente quando escrevo. Também tento sempre dar o meu próprio toque às paisagens.

 

Natércia: Muitos afirmam que tem parecenças com Fernando Pessoa…

Sophia: Não é bem assim. Fernando Pessoa, é para mim, uma referência, portanto é compreensível que se encontrem no meu discurso alguns traços ideológicos e linguísticos, desse grande poeta.

Natércia: E agora, vamos fazer um curtíssimo intervalo. Voltamos já, já a seguir. Não perca a segunda parte do programa “Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria!

 

(15 minutos depois…)

 

Natércia: Bem vindos à segunda parte do programa “Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria! Estivemos a entrevistar a maravilhosa Sophia que continua aqui connosco para nos responder a mais umas perguntinhas… Bem, o que nos diz sobre a civilização grega? (risos)

Sophia: (risos) Tenho um grande fascínio pela civilização grega e não só. Também adoro outras civilizações mediterrâneas.

Escrevi até já alguns livros como “O nu na Antiguidade” e “O nome das coisas” relacionados, com essa temática.

 

Natércia: Sophia, pelo que sabemos nas suas histórias, costuma referir factos da sua vida, não é verdade?

Sophia: Efectivamente, costumo fazer algumas ligações de memórias, histórias que me contavam, lugares, enfim, digamos que “brinco” com as memórias.

Por exemplo, “A menina do mar” tem inspiração numa história incompleta que a minha mãe me contava, então eu aperfeiçoei-a à minha maneira. “Saga” é outro exemplo bastante elucidativo, inspirei-me na vida de familiares.

 

Natércia: Confesse-nos algo estranho! Sim, a famosa pergunta final (“Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria!)!

Sophia: (risos) Bem, posso confessar algo…costumo desfolhar rosas e trincar as suas pétalas enquanto escrevo. (risos)

 

Natércia: Muito obrigada, pela sua presença e espero que volte mais vezes!

Sophia: Obrigada eu!

 

Natércia: E assim, chegámos mais uma vez ao fim de “Ao Sábado com a Natércia”, uma conversa muito séria!

Portugal de Norte a Sul e de Sul a Norte todas as semanas, aqui, em Castelo Branco.

Um resto de bom dia e até para a semana.

(aplausos)

A Cinderela,

Sofia.

sinto-me: Animada.
música: Christina Aguilera - Falsas Esperanzas
publicado por dizem que são cinderelas às 19:23

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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Palavras.

«Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária, as palavras não podem ser decorativas, não podiam servir só para ganhar tempo até ao fim do decassílabo, as palavras tinham que estar ali porque eram absolutamente indispensáveis. Isso foi uma descoberta» (JL 468, de 25/6/91)

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URL: http://soundserver.porto.ucp.pt/portosentido/?q=node/view/89

Acedido a 23 de Fevereiro de 2007.

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A Cinderela,

Sofia.

sinto-me: Feliz!
música: Josh Broban - February Song
publicado por dizem que são cinderelas às 21:56

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

As Cinderelas do Século XXI!


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Beijinhos,

As Cinderelas do Século XXI.

sinto-me: Soninho!
música: Beyoncé Knowles - Listen
publicado por dizem que são cinderelas às 22:34

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Obras de uma vida...

Poesia

à Poesia, Coimbra, ed. da autora (3ª ed., Lisboa, Ática, 1975), 1944.

à Dia do Mar, Lisboa, Ática, 1947.

à Coral, Porto, Livraria Simões Lopes (2ª ed., ilustrada por Escada, Lisboa, Portugália, 1968, 3ª ed., s.l., s.d.), 1950.

à Tempo Dividido, Lisboa, Guimarães Editores, 1954.

à Mar Novo, Lisboa, Guimarães Editores, 1958.

à Cristo Cigano, ilustrado por Júlio Pomar, s.l., Minotauro (2ª ed., Lisboa, Moraes, 1978), 1961.

à Livro Sexto, s.l. [Lisboa], Salamandra, 1962.

à Geografia, Lisboa, Ática (3ª ed., Lisboa, Salamandra), 1967.

à Antologia, Lisboa, Portugália (5ª ed., aumentada com prefácio de Eduardo Lourenço, Porto, Figueinhas), 1968.

à Grades – Antologia de Poemas de Resistência, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1970.

à 11 Poemas, Lisboa, Movimento, 1971.

à Dual, Lisboa, Moraes Editores (3ª ed., Lisboa, Salamandra, 1986), 1972.

à O Nome das Coisas, Lisboa, Moraes Editores (2ª ed., Lisboa, Salamandra, 1986), 1977.

à Poemas Escolhidos, Lisboa, Círculo de Leitores, 1981.

à Navegações, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda (2ª ed., Lisboa, Caminho), 1983.

à No Tempo e Mar Novo, 2ª ed., revista e ampliada, Lisboa, Salamandra, 1985.

à Antologia, Porto, Figueirinhas, 1985.

à Ilhas, Lisboa, Texto Editora, 1989.

à Obra Poética, vol. I, Lisboa, Caminho, 1990.

à Obra Poética, vol. II, Lisboa, Caminho, 1991.

à Obra Poética, vol. III, Lisboa, Caminho, 1991.

à Obra Poética I, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.

à Obra Poética II, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.

à Musa, Lisboa, Caminho, 1994.

à Signo – Escolha de Poemas, Lisboa, Casa Pessoa, 1994.

à O Búzio de Cós e Outros Poemas, Lisboa, Caminho, 1997.

 

Prosa

 

à Rapaz de Bronze, Lisboa, Minotauro (2ª ed., Lisboa, Moraes, 1978), 1956.

à Menina do Mar, Porto, Figueirinhas (17ª ed., 1984), 1958.

à A Fada Oriana, Porto, Figueirinhas (2ª ed., 1983), 1958.

à Noite de Natal, Lisboa, Ática, 1960.

à Contos Exemplares, Lisboa, Moraes (23ª ed., prefácio de António Ferreira Gomes, Porto, Figueirinhas, 1990), 1962.

à Cavaleiro da Dinamarca, Porto, Figueirinhas (21ª ed., 1984), 1964.

à Os Três Reis do Oriente, desenhos de Manuel Lapa, s.l., Estúdio Cor, 1965.

à Floresta, Porto, Figueirinhas (16ª ed., 1983), 1968.

à Tesouro, Porto, Figueirinhas, 1978.

à Contos: 1979, ilustrações de Vieira da Silva, Lisboa, Galeria São Mamede, 1979.

à Histórias da Terra e do Mar, Lisboa, Salamandra (3ª ed., Lisboa, Texto Editora, 1989), 1984.

à Árvore, Porto, Figueirinhas (3ª ed., 1987), 1985.

à Era Uma Vez Uma Praia Lusitana, Lisboa, Expo 98, 1997.

 

Ensaio

 

à "A poesia de Cecíla Meireles", Cidade Nova, 4ª série, nº 6, Novembro, 1956.

à "Poesia e Realidade", Colóquio – Revista de Artes e Letras, nº 8, 1960.

à "Hölderlin ou o lugar do poeta", Jornal de Comércio, 30 de Dez., 1967.

à O Nu na Antiguidade Clássica, (col. O Nu e a Arte) Lisboa, Estúdios Cor (2ª ed., Lisboa, Portugália; 3ª ed. [revista], Lisboa, Caminho, 1992), 1975.

à "Torga, os homens e a terra", Boletim da Secretaria de Estado da Cultura, Dezembro, 1976.

à "Luís de Camões. Ensombramentos e Descobrimentos", Cadernos de Literatura, nº 5, 1980.

à "A escrita (poesia)", Estudos Italianos em Portugal, nº 45/47, 1982/1984.

 

Poemas não incluídos na Obra Poética

 

à "Juro que venho pra mentir"; "És como a Terra-Mãe que nos devora"; "O mar rolou sobre as suas ondas negras"; "História improvável"; "Gráfico", Távola Redonda – Folhas de Poesia, nº 7, Julho, 1950.

à "Reza da manhã de Maio"; "Poema", A Serpente – Fascículos de Poesia, nº 1, Janeiro, 1951.

à "Caminho da Índia", A Cidade Nova, suplemento dos nº 4-5, 3ª série, Coimbra, 1958.

à "A viagem" [Fragmento do poema inédito "Naufrágio"], Cidade Nova, 5ª série, nº 6, Dezembro, 1958.

à "Novembro"; "Na minha vida há sempre um silêncio morto"; "Inverno", Fevereiro – Textos de Poesia, 1972.

à "Brasil 77", Loreto 13 – Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, nº 8, Março, 1982.

à "A veste dos fariseus", Jornal dos Poetas e Trovadores – Mensário de Divulgação Cultural, nº 5/6, 2ª série, Março/Abril, 1983.

à "Oblíquo Setembro de equinócio tarde", Portugal Socialista, Janeiro, 1984.

à "Canção do Amor Primeiro", Sete Poemas para Júlio (Biblioteca Nacional, cota nº L39709), 1988.

à "No meu Paiz", Escritor, nº 4, 1995.

à "D. António Ferreira Gomes. Bispo do Porto"; "Naquele tempo" ["Dois poemas inéditos"], Jornal de Letras, 16 Jun., 1999.

 

Depoimentos

 

à "Sophia de Mello Breyner na A.P.E.": "A liberdade, para mim, não é unilateral: abrange o respeito pela liberdade dos próprios inimigos", O Século, 15 de Abr., 1976

à "Respeito pelo pluralismo e defesa total da liberdade de criação e expressão", Diário de Notícias, 15 de Abr., 1976.

à "O direito à cultura é um direito fundamental", A Capital, 30 de Abr., 1977.

à "Os julgamentos de Moscovo", A Capital, 27 de Jul.,1978.

à "Porque apoio Eanes", O Jornal, 28 de Nov., 1981.

à "Mário Soares estará sempre onde estiver a liberdade", Revista do Povo, Janeiro, 1986.

à "Tenho esperança mas não confiança", Diário de Notícias, 1 de Jan., 1990.

à "Falar do que vi", Ler, Círculo de Leitores/Instituto Português do Livro e da Leitura, Ago./Set., 1990.

à "Sophia contra o Acordo Ortográfico", Jornal de Letras, 25 de Jun., 1991.

à "Naquele Tempo" [sobre Mário Soares], Jornal de Letras, 7 de Dez., 1994.

 

Poemas Inéditos


à D. António Ferreira Gomes
à Bispo do Porto
à Na cidade do Porto há muito granito
à Entre névoas sombras e cintilações
à A cidade parece firme inexpugnável
à E sólida – mas habitada
à Por súbitos clarões de profecia
à Junto ao rio em cujo verde se espalham as visões
à Assim quando eu entrava no paço do Bispo
à E passava a mão sobre a pedra rugosa
à O paço me parecia fortaleza
à Porém a fortaleza não era
à Os grossos muros de pedra caiada
à Nem os lintéis de pedra nem a escada
à De largos degraus rugosos de granito
à Nem o peso frio que das coisas inertes emanava
à Fortaleza era o homem – o Bispo –
à Alto e direito firme como torre
à Ao fundo da grande sala clara: fortaleza
à De sabedoria e sapiência
à De compaixão e justiça
à De inteligência a tudo atenta
à E na face austera por vezes ao de leve o sorriso
à Inconsútil da antiga infância.

à 1998
à Naquele Tempo
à Sob o caramanchão de glicínia lilás
à As abelhas e eu
à Tontas de perfume

à Lá no alto as abelhas
à Doiradas e pequenas
à Não se ocupavam de mim
à Iam de flor em flor
à E
cá em baixo eu
à Sentada no banco de azulejos
à Entre penumbra e luz
à Flor e perfume
à Tão ávida como as abelhas
à Abril de 98

Obra seleccionada: "História da Gata Borralheira", conto integral do livro Histórias da Terra e do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen.

URL: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm#Obra

sinto-me: Pensativa.
música: Avril Lavigne - Keep Holding On
tags: ,
publicado por dizem que são cinderelas às 22:24

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Visita guiada à nossa escola.


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[Nota: Infelizmente o RockYou não permite que as palavras sejam acentuadas, nem que as letras tenham cedilha, etc..]
Beijinhos,
As Cinderelas.
sinto-me: com sono.
música: Beyoncé Knowles - Upgrade You
publicado por dizem que são cinderelas às 22:03

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Sophia de Mello Breyner, uma grande Mulher!

Biografia

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família Aristocrática.

A sua infância e adolescência foram divididas entre o Porto e a capital.Em Lisboa tirou o curso de Filologia Clássica.

Casou-se com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares. Após o casamento, fixou-se na Capital portuguesa, dividindo a sua actividade entre a poesia e actividade cívica.

Sophia foi uma notória activista contra o regime de Salazar. A voz da liberdade ergue-se, sobretudo em “O livro Sexto”, através da poesia.

Também foi a sócia fundadora da “Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos”, mesmo após a Revolução do 25 de Abril, teve uma constante actividade cívica, tendo sido deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista.

As duas obras foram e são muito importantes para as várias gerações infantis. Inicialmente estas eram destinadas aos seus cinco filhos.

Os considerados “Clássicos” da literatura infantil em Portugal que marcaram muitas crianças são “O Rapaz de Bronze”, “A fada Oriana”, “A menina do Mar”, entre outras.

A poetisa traduziu das obras de Shakspeare, Dante, Claude e Eurípedes, tendo sido condecorada pelo governo Italiano pela tradução de “O Purgatório”.

Em 1964 recebeu o Grande prémio da poesia, através de “O Livro Sexto”, também foi distinguida em 1999 com o prémio Camões e o prémio Rainha Sofia em 2003.

Sophia faleceu no dia 2 de Julho de 2004, em Lisboa.

 

 

Url:

http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm#Biografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sophia_de_Mello_Breyner

http://bibliomanias.no.sapo.pt/sophiamb.jpg 

http://cidadaodomundo.weblog.com.pt/arquivo/Sophia.jpg 

Acedido a: 10, 11 e 12 de Fevereiro de 2007.

A Cinderela,

Sofia.

 

sinto-me: cansadaaaa!
música: Rihanna - SOS
publicado por dizem que são cinderelas às 21:05

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